Melissa, a Mel Flores, tem 25 anos e nasceu em Santa Rosa, no Noroeste gaúcho. Foi em Santa Catarina, porém, que a vida dela aconteceu. Ainda bebê, mudou-se com a família para Indaial, no Vale do Itajaí, onde passou a infância e a adolescência. Há cinco anos, mora na vizinha Blumenau.
Filha única de um metalúrgico e de uma costureira, Mel cresceu numa casa simples. “Minha infância e minha adolescência foi um pouco difícil financeiramente, passamos bastante dificuldade financeira até os meus 12 anos”, conta. Segundo ela, a dificuldade vinha de antes: “Meu avô já passava dificuldade financeira, meus pais já passaram”. Depois dos 12, as coisas melhoraram um pouco.
Em casa, ela ouvia dois conselhos opostos. “Meu pai já era: ‘Ah, fica aqui’. E a minha mãe era: ‘Não, vai, vai viver’”, lembra. “Então eu tive um pouquinho desses dois.” Ganhou o lado da mãe. Aos 18 anos, Mel foi morar sozinha, realizando um desejo antigo. “Sempre quis ter minhas coisinhas, minha própria casa”, afirma. A mudança não abalou a relação com os pais, que ela descreve como muito boa até hoje.
Morando sozinha, começou a trabalhar como babá de bebês e, pouco depois, como social media de comércios da cidade. A ideia de virar criadora de conteúdo veio de fora. Algumas pessoas já tinham sugerido, mas ela nunca deu importância, até ouvir de alguém: “Nossa, mas você tem tantas fotos bonitas no Instagram, gosta tanto disso, por que não?”. O marido, que já estava com ela na época, reforçou. “Ele falou: ‘Ah, eu acho que as pessoas têm razão, você deveria tentar explorar esse lado’”, conta. Mel não pensou duas vezes: “Já abri, já divulguei, já fui à milhão”.
Antes de todo mundo, porém, quem tinha dado a ideia foi a mãe. “Desde o começo ela sempre falava: ‘Ai, filha, você faz fotos tão lindas, por que que você não vende?’”, lembra. Por isso, quando criou o perfil na Privacy, foi para ela que contou primeiro: “Ah, aqui ó, mãe, agora eu tô vendendo”.
O círculo de Mel é pequeno: o marido, o pai, a mãe e duas amigas. Todos apoiaram. O pai, admite, é “um pouco mais complicado”, mas aceita a escolha da filha. “A minha mãe sempre apoiou em tudo”, afirma.
Ela sabe que esse apoio não é regra. Conhece mulheres que gostariam de produzir conteúdo exclusivo, mas desistem por causa do marido ou da família. “‘Ah, gostaria muito de fazer também, mas ele não vai gostar’, pai e mãe não vai gostar, enfim, sempre tem isso”, conta.
Hoje, mãe e filha costumam olhar juntas para o caminho percorrido. “Eu sempre converso com a minha mãe sobre isso, o que era eu há quatro anos atrás e hoje”, diz. A menina que queria uma casa só dela vive hoje numa casa “linda, enorme” em Blumenau, ao lado do marido e de quatro gatos. A casa ainda não é dela, mas já existe uma poupança para comprá-la. “A gente conquistou muitas coisas”, resume.


