Historiadora, pesquisadora e criadora de conteúdo, Bruna Santiago transformou a estabilidade conquistada na Privacy em impulso para aprofundar sua atuação acadêmica e política. Militante do movimento negro e autora de obras voltadas ao feminismo negro e à experiência periférica, ela utiliza sua presença digital para ampliar o acesso ao conhecimento.
Em entrevista ao Blog da Privacy, Bruna relembrou o momento em que precisou reorganizar sua vida profissional ao ingressar no doutorado, após se mudar para Porto Alegre.
“Quando eu fui para o doutorado, eu mudei de estado e o custo de vida é muito elevado em Porto Alegre. Eu estava voltando a trabalhar de garçonete, que foi o meu trabalho anterior, e na pesquisa”, disse. “Quando analisei as possibilidades de trabalho, eu vi que a Privacy poderia me dar mais tempo, mobilidade e um faturamento maior”.
Segundo ela, a plataforma permitiu não apenas autonomia financeira, mas também liberdade para circular e investir em sua trajetória acadêmica. “Estar na Privacy me deu a possibilidade de ir para outros congressos, de viajar bastante. Conheci boa parte do Brasil”, adicionou. “[Gostei da] praticidade, do pagamento via Pix. Achei que é uma plataforma mais funcional”.
Bruna Santiago e a literatura
Além da atuação como criadora, Bruna também mantém o perfil Leituras Pretas, onde compartilha conteúdos sobre igualdade racial, acesso à educação e combate ao racismo. O objetivo é traduzir o conhecimento acadêmico para quem nem sempre teve acesso a ele.
“A minha rede social é para didatizar o que eu conheci na universidade, porque eu conheci muito tarde”, revelou. “Só vim ter diálogo com isso quando já tinha mais de 25 anos, quando eu consegui entrar na faculdade”.
Ela também desenvolve orientações acadêmicas voltadas à comunidade negra.
“Vendo que a grande massa da população negra não segue esse mesmo caminho e chega mais tarde na universidade, meu perfil acabou por orientar pessoas que estão querendo entrar e também quem já está lá, porque eu trabalho com orientações de TCC para a comunidade negra”, adicionou. “É um projeto voltado justamente para as pessoas que, como eu, vieram da periferia”.
Na literatura, Bruna Santiago publicou em 2021 um livro sobre Angela Davis e, em 2023, lançou o livro de contos “Queloides”, em que aborda temas do cotidiano sob uma perspectiva sensível e crítica.
“Trago um pouco de temas do cotidiano. Coisas que estão aí e que eu consigo transformar em matéria literária”, disse.
Para o futuro, Bruna planeja continuar seus estudos fora do país e, mais adiante, retornar ao Nordeste, onde pretende conciliar pesquisa, produção intelectual e momentos simples como “ler, tomar uma cerveja e ir no samba”.


