Aos 21 anos, Sol Cardoso já tinha construído uma trajetória na internet. Antes de chegar à Privacy, a creator acumulava trabalhos com grandes marcas, produzia conteúdos sobre moda, cabelo e lifestyle e tinha uma comunidade que acompanhava seu trabalho de perto. Mas, por trás dessa experiência, existia também uma sensação de estar presa a uma imagem que precisava seguir.
Nascida Kaliana, Sol ganhou o apelido ainda na escola, depois de uma apresentação sobre o sistema solar e o protetor solar. O nome ficou e acabou virando sua identidade nas redes. Já a escolha do nome de registro carrega outra referência importante para ela: Kali, deusa associada à criação e à destruição, que representa a capacidade de se reinventar.
“Eu consigo me refazer e me reinventar quantas vezes forem necessárias até eu realmente conseguir me identificar e fazer dar certo. Porque comigo sempre dá certo”, conta.
A história profissional começou cedo. Comunicativa desde criança, Sol trabalhou com telemarketing antes de investir de vez nas redes sociais. A internet cresceu, vieram os trabalhos com marcas como Red Bull e Monster e, aos poucos, ela encontrou espaço também no universo da música, da moda e da arte.
Mesmo com uma presença digital já estabelecida, Sol sentia que precisava frequentemente se podar para caber em determinados limites. O receio de julgamentos e de perder oportunidades com possíveis publis fazia com que pensasse duas vezes antes de mostrar outras partes que também faziam parte dela.
“Eu não conseguia ser eu nas redes sociais. Eu sempre ficava com medo de ser vulgar, ficava com medo de postar alguma coisa um pouco mais sexy, um pouco mais ousada, por medo de julgamentos e por medo de não fechar com marcas”, lembra.
Foi nesse momento que uma amiga, a fotógrafa Camila, entrou em cena. Conhecendo Sol de perto, ela percebeu algo que a própria creator ainda não conseguia enxergar e começou a incentivá-la a experimentar a Privacy.
“Ela conseguia ver tudo que eu escondia. Ela me viu por inteiro”, conta Sol.
A princípio, a ideia era apenas testar. Sol começou aos poucos, ainda tentando entender como se sentia com aquela nova possibilidade. Ao mesmo tempo, começou a descobrir uma relação diferente com a própria imagem e com o que gostaria de mostrar e para ela, esse processo também passa pela forma como mulheres são ensinadas a se enxergar.
“Os homens são ensinados a descobrir o que gostam e as mulheres são ensinadas a ser o que eles gostam. Então eu primeiro comecei a descobrir o que eu gosto de mostrar, o que eu gosto de fazer. Se eu pudesse dar um conselho para toda mulher, eu falaria para elas começarem a entender o que elas são sozinhas, porque se você não é um bom par para você, nunca vai ser um bom par para outra pessoa.”
Essa descoberta também mudou a maneira como ela enxergava a própria relação com dinheiro. Para ela, falar abertamente sobre renda e independência faz parte da liberdade que queria construir para si.
“Eu acho muito interessante mulheres se empoderarem e falarem sobre dinheiro, falarem sobre como ganhar dinheiro. Porque a liberdade de uma mulher não pode estar atrelada somente a um homem. Liberdade de mulher, a gente está falando de dinheiro. Mulher livre é mulher que recebe bem.”
Foi com essa nova perspectiva que ela decidiu publicar seu primeiro ensaio na Privacy. E, para sua surpresa, a resposta foi muito maior do que esperava.
A maneira como o perfil repercutiu foi tão intensa que ela chegou a desativá-lo por um período para conseguir processar tudo o que estava acontecendo. Depois, com mais segurança para entender a plataforma e a própria relação com aquele conteúdo, voltou a se dedicar ao perfil.
Em pouco mais de um mês, Sol já alcançou R$ 115 mil em faturamento na Privacy.
Mais do que o resultado financeiro, porém, ela percebeu uma mudança na maneira como enxergava a si mesma.
“Eu sou muito mais confiante. Sou muito mais eu, sabe?”, afirma.
Para Sol, essa confiança também mudou a forma como lida com a exposição e com os julgamentos. Ela passou a entender que não existe uma maneira de agradar todo mundo e que, antes da aprovação de qualquer outra pessoa, precisa existir a própria.
“Eu comecei a entender que vão te criticar independentemente do que você fala, independentemente do que você faz, independentemente do que você veste. E a primeira pessoa que tem que estar lá para te apoiar e ser confiante é você mesma.”
Essa nova fase também se conecta com outros planos. Estudante de bacharelado em Educação Física, área que faz parte da sua rotina há anos, Sol quer continuar construindo diferentes projetos. Entre eles está o desejo de lançar sua própria marca de biquínis e roupas fitness.
Fora do trabalho, ela divide o tempo entre a faculdade, musculação, natação, bike e lutas como boxe e muay thai. Também já estudou Gastronomia e chegou a cursar Gestão de TI, mostrando que a vontade de experimentar caminhos diferentes acompanha sua trajetória.
Agora, a creator vê a Privacy como mais uma dessas possibilidades de construir o próprio caminho. E, para Sol, essa postura tem a ver justamente com a liberdade que buscava quando decidiu dar uma chance a uma ideia que, no começo, parecia apenas um teste. Hoje, ela enxerga a plataforma não só como uma fonte de renda, mas como uma ferramenta para continuar investindo em quem quer ser, dentro e fora da internet.


