Quando o público vê uma escola de samba atravessando a Marquês de Sapucaí, é difícil imaginar tudo o que acontece por trás daquele momento – mas Pedro Telles, que estrelou ‘Lumena Não Sabe Sambar‘, da Privacy, conhece essa realidade muito bem.
Nascido em Niterói e criado em São Gonçalo, Pedro começou no samba aos oito anos, por meio de um projeto social dentro da quadra do Porto da Pedra. O que começou como curiosidade de criança virou trajetória de vida: aos 18, já estava na ala de passistas. Pouco tempo depois, assumia a direção — de forma inesperada — no fim de um ensaio de rua.
“Quando você vira diretor, a responsabilidade muda. Você deixa de ser só artista e passa a lidar com 70, 80 pessoas, cada uma com sua criação, sua realidade e suas expectativas”, disse ele.
Formado em Design de Moda, Pedro também atua na concepção de figurinos e na formação técnica de passistas. Para ele, o samba precisa ser tratado como estudo e disciplina — não apenas talento.
Por isso, ele desenvolveu metodologia própria, trabalha musicalidade, estrutura rítmica e defende que o samba deveria ter espaços formais de ensino, como o balé ou outras linguagens da dança.
“Samba não é só ‘mexer o pé’. É ritmo, musicalidade, coordenação. É escutar a bateria e entender o que seu corpo está fazendo”, apontou. “Quando você matricula seu filho em uma escola de balé, tem um estudo teórico após o prático. Por que não fazem o mesmo pro samba? Uma escola que ensina teoria também”.

Porém, não é só com o Carnaval que Pedro trabalha. Ele construiu uma carreira sólida como gerente de uma franquia famosa de restaurantes, o que também o fez aperfeiçoar seus talentos para gerir equipes.
Durante um desabafo, Pedro afirma que ainda não é possível viver somente dos ganhos que os profissionais recebem com o Carnaval, realidade que ele gostaria de mudar. Afinal, a maioria deles começa os preparativos para a festa ao menos 10 meses antes dela acontecer, o que demanda muito tempo e dedicação.
“No Carnaval, você está empregado até a quarta-feira de cinzas”, disparou. “Seria incrível se os profissionais do Carnaval pudessem viver disso, serem valorizados de forma contínua durante todo o ano. Somos movidos pela paixão, mas precisamos do reconhecimento”.


